Sustoterapia


18/05/2007


Revolução dos fracos - 1ª parte

Por que, às vezes, é tão difícil enfrentar a vida a ponto de criarmos pontos de fuga que nos dêem a falsa sensação de segurança?

 

Porque, na maioria das vezes, nos colocamos na posição de carrascos ou vítimas de certos acontecimentos? Será tão dura a realidade? E se for, será que somos sempre dignos de tais extremos?

 

As pessoas, diante de dúvidas ou sofrimentos, reagem de formas diferentes. São capazes de anular aquilo que realmente são para poderem manter uma aparência que criaram a sua volta.

 

Será que temos de ser como Romeo e Julieta, fadados a se esconderem e ainda morrer pensando que nossos sonhos e nossos desejos nunca se realizarão?

 

Atitudes extremadas denotam, na maioria das vezes, falta de capacidade de enfrentar situações. É mais fácil fugir, fingir, fazer que aquilo não é como você. Assim, você pode voltar ao seu mundinho de faz-de-conta. Uma Neverland com regras próprias, pronta a lhe acariciar com palavras bondosas sempre que algo ruim chega perto.

 

Realmente, criar um mundo particular com suas próprias regras e com suas próprias defesas, pode ser um bom método de fuga. Mas será que isso resolve? Será que não estamos somente adiando o que nos é inevitável?

 

As vezes, criamos esteriótipos de força. Nos mostramos aquele tipo de pessoa que está sempre ali por perto, para podermos esquecer dos nossos próprios problemas e mergulhar nos problemas dos outros.

 

Talvez, essa seja a pior das fugas, pois os seus próprio problemas não vão lhe entender, pensando que você já tem problemas demais para pensar e não vai ter tempo para os seus próprios. A priori, isso pode causar euforia. Coisas do tipo: “Eu posso não resolver os meus problemas, mas sou bom mediador, consigo analisar e, de alguma maneira, solucionar o problema dos outros.”.

 

Mas pense bem... Será que está realmente resolvendo o problema dos outros? Será que, dando-lhes as respostas, não os está privando de descobrir o mundo fora da caverna? Retirando-lhes o sabor de conseguir, por suas próprias forças, descobrir meios de se salvar e ainda crescer?

 

Ninguém nunca disse que crescer era fácil, mas a maioria dos “entendidos”, sabe que o crescimento vem de dentro. Se você não está pronto para resolver os seus próprios problemas, como vai estar para resolver os problemas dos outros?

 

É muito legal ser o mais forte, o mais querido, o mais respeitado... Mas não é se anulando e sendo fraco longe dos outros e forte perto deles que você vai conseguir se sentir bem com algo.

 

Existem coisas que devem ser enfrentadas pelos seus próprios mantenedores. E só eles podem saber o quanto tal coisa pode lhes afetar.

 

Amigos, pelo menos os reais, devem realmente estar do nosso lado. Eles são os alicerces do que somos. É neles que encontramos coragem para suportar grandes provações. Pessoas leais, que não importa a circunstância estarão sempre do nosso lado. Mas, se a força já não estiver dentro de si, não importam as palavras e o conforto que se guarda dentro de si. É como semente lançada em meio a estrada, onde as aves vem e as comem, não deixando que elas se fortaleçam e cresçam.

 

É obvio que sentimentos fortes, tem o dom de nos desestruturar. Tendemos a idealizar o objeto amado e alguns perdem-se nesse devaneio e definham, perdendo o pouco de forças que ainda tem. Mas quem não se apaixonou pelo menos uma vez, de uma forma tão intensa que até o ar era pesado para se respirar?

 

A nossa atitude mediante tudo isso é o que nos torna diferentes. Fortes ou fracos em determinados assuntos. Amor, paixão e (por que não?) até o desejo, são as molas motrizes de nossa vida. Não importa se esse sentimento se direcione a um(a) namorado(a), amigo(a) ou até mesmo, nossos pais. Mas tudo o que é demais, vira vício, entorpece os sentidos e nos tira a capacidade de pensar.

 

P.S. Texto grande e continua na próxima... ;)

Escrito por va_greywolf às 18h35
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