Em muitas situações, nos colocamos como culpados dos problemas que afligem aqueles que amamos. Como se todo o desespero e desgraças do mundo fossem causados unicamente por nossas atitudes.
De certa maneira, isso não deixa de ser egoísmo. O que temos a ver se nossos pais brigam? A vida é deles e nós não sabemos exatamente o que se passou para que a situação ficasse daquele jeito que nós vimos... O que importa se alguém mais “sensível” se atingiu com nossas palavras, principalmente as verdadeiras, e acabou caindo em depressão? A verdade não é só um carinho e se você não está preparado para ela, é melhor deixar a vida no seu devido lugar e só voltar quando estiver disposto a enfrentá-la. Aliás, você não é culpado pela fraqueza alheia, somente pela sua própria fraqueza.
A piedade pode ser ensinada por muitas religiões nos dias atuais, mas ela tem o incrível dom, em minha opinião, de agora quem da e quem recebe. O primeiro, por ver alguém sofrer e, às vezes, se sentir culpado pela sua felicidade ou mesmo por não poder ser útil... O segundo, por ter a certeza de que é fraco e que mostra a sua fragilidade facilmente, sendo assim mais sucetível aos ataques da vida... A não ser que você realmente queira ser digno de pena.
Cabe a cada um carregar sua própria cruz. Se você está numa situação ruim, não coloque mais carga sobre os seus ombros. Se alguém que você ama ou até mesmo, simplesmente preza, está com problemas... Você pode, sim, oferecer ajuda, apoio e consolo, afinal é para isso que estamos aqui (para nos relacionar uns com os outros), mas não pegue a carga de outrem para si. Se ele passa por algo que parece muito pesado, é porque deixou a situação chegar nesse pé. Você só é culpado pelos erros que comete e mesmo assim, deve encará-los como aprendizado e não côo um tapa da vida.
A vida é constante aprendizado e nós temos, sempre, de tirar o significado do que nos acontece. As vezes, isso acontece somente para que acordemos. As vezes, acontece porque precisávamos daquela lição, naquele momento, para que aquilo possa nos ser útil mais para a frente. Quem sabe??? Nem eu, nem você somos Deuses para saber tudo sobre tudo.
Todo aquele que erra sabe, mesmo que inconscientemente, que está errado ou pelo menos, sabe os riscos de suas atitudes. Não é certo tirar o direito de outros de conseguirem aprender por si só. Não é certo entrar em assuntos que não nos dizem respeito, mesmo que estejamos, de certa forma, inseridos no contexto.
É na fragilidade que somos mais sucetíveis as lições e a serem aprendidas. Então, deixe os outros aprenderem suas próprias lições. Viva a sua vida, resolva os seus problemas e se... e somente “se”, puder ser útil, seja, mas nunca subjulgando os seus próprios limites. No português claro... Se você é um adolescente, não se meta com problemas de adultos. E se você é um bom amigo, saiba que pode ser a hora dessa pessoa “sofrer” um pouco para aprender a lição que provavelmente está ignorando.
Culpa não é uma coisa que nos colocam... Nós mesmos a colocamos sobre nós em busca de atenção, ou auto-comiseração... Mostre que aprendeu a lição e fuja dela. Ninguém é culpado de nada, só existe a atitude errada na hora errada, mas isso ainda é um aprendizado.

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